Hoje a Folha de São Paulo fez uma matéria intitulada “encolheram o livro“, tratando do Kindle. Diz que o mercado brasileiro se prepara para leitores eletrônicos, que as editoras estão prontas para a distribuição digital. Mas os editores ouvidos são todos muito reticentes sobre a adesão ao livro eletrônico. Parecem que o tratam como não sendo algo “desejável”. A matéria não é ruim, mas não esclarece muita coisa e se perde pelo caminho.
O jornalista cita o Roberto Feith:
- “Esta é a imensa diferença entre o Kindle e os demais dispositivos de leitura, como o Sony Reader”, diz Feith. “O Kindle é o único que funciona sem fio, permitindo a compra, por impulso ou não, de qualquer conteúdo digital a partir de quaisquer lugar e hora. Ou seja, o Kindle não oferece apenas uma alternativa equivalente de leitura. Ele oferece uma importante vantagem em comparação com a compra e leitura de livros impressos, que é a compra instantânea, de qualquer texto, em qualquer lugar.”
Em seguida, ao abordar as diferenças entre os leitores, acaba tratando do Kindle como se ele somente funcionasse na rede sem fio; e que apenas o sony reader funcionasse carregando os documentos através do computador. Se atrapalha, ainda, ao citar o Stanza como se fosse o único aplicativo para o iphone, esquecendo do próprio Kindle app.
Outra questão: o jornalista trata do potencial do mercado universitário, explica que a Amazon está se esforçando nos Estados Unidos para que o mercado dos livros didáticos migre para a plataforma. Mas esquece de olhar para o próprio local onde trabalha: a mim, parece que o crescimento de vendas de dispositivos como o Kindle deve ocorrer através da imprensa, com a assinatura de jornais casada com a compra do dispositivo, com a distribuição, em condições melhores, de dispositivos pelos jornais, da mesma forma que as companhias de telefonia subsidiam os aparelhos de celular. Vários jornais estão fechando pelo mundo, alguns mantendo-se apenas na internet. Quem souber trabalhar com esse mercado pode crescer. Mas o camaradinha não fala nada sobre a leitura de jornais no aparelho – apesar de a foto da capa da ilustrada see enorme, de um Kindle DX com o Washington Post aberto.
Fala como se fosse absolutamente impossível usar o aparelho no Brasil, o que já sabemos que não é verdade.
Para finalizar, as citações dos editores são muito superficiais. O único livreiro ouvido, o diretor de operações da Cultura, é citado como não sendo muito entusiasmado com os aparelhos. Gostaria de ouvir o Sr. Pedro Herz (quem falou foi Sérgio – será filho?), que seria uma pessoa que, se apaixona-se por um leitor digital poderia dar impulso nesse mercado entre nós.
Não foi ouvido ninguém da “nossa” Amazon, o Submarino, muito menos a própria Amazon, nem nenhum usuário. A Folha, para variar, ultimamente, quando pensa em fazer uma matéria interessante isso por si só é motivo de comemoração, pois a execução sempre deixa a desejar.
